Como sou assídua leitora, leio tudo ao meu alcance, menos bula de receita porque não se entende nem 50% e assuntos jurídicos pelo estilo linguístico incompreensível. Poesia é um pouco raro, nem parece que cursei Letras. É que resulta do pensar com o coração e não com a cabeça. Mas me agrada, principalmente quando a cabeça está cheia de informação e se precisa de linguagem de sentimento.
Dia desses deparei-me com dois poemas preciosos pela conotação. Um na revista Época de autoria do Presidente Michel Temer. Nem sabia que era poeta, mas já publicara vários poemas. Foi-lhe sugerido criar versos em torno ao adeus do poder, todavia o que brotou foi a poesia “SEMENTE”, escrita num guardanapo de papel, durante uma viagem presidencial. Lembrei-me que também Hans Donner criara o logotipo da Rede Globo num guardanapo de papel em viagem de avião- história contada quando esteve em Medianeira em 2005 no aniversário do município na companhia de Valéria “ Globeleza” sua esposa, que integraram o júri do Miss.
SEMENTE
por Michel Temer
Não percebeu
mas uma semente
pousou em seu coração.
Germinou.
Cresceu em galhos, flores e folhas.
Atravessou os caminhos de seu corpo.
Boca, olhos, olhos, ouvidos,
tato e olfato.
Todos os sentidos
tomados.
Pela mão pousada sobre a mão,
pelo leve roçar dos dedos,
pelo perfume que dela vinha.
Essa planta
assim nascida
tinha nome: paixão.
E não prosperou
porque o objeto desse amor
não tinha a mesma
sensação.
Sem correspondência
a planta feneceu.
Percorreu de volta todos os caminhos.
Aninhou-se em seu coração
voltou a ser
simplesmente
SEMENTE
Ao folhar a revista “É Tempo de Alagoas” que exalta o turismo, surpresa na introdução com um poema O DIA EM QUE DEUS CRIOU ALAGOAS escrito por Noaldo Dantas- o que se conclue que poesia pode dar vazão também ao turismo com a arte das palavras. Quem sabe podemos descobrir que versos podem se encaixar em toda produção de texto para os mais diversos fins estéticos ou críticos- uma junção de inspiração e criatividade. (Da Redação Mirtis)
O DIA EM QUE DEUS CRIOU ALAGOAS
por Noaldo Dantas
Escrevi certa vez que Deus, além de brasileiro, era alagoano.
Em verdade, não se cria um estado com tanta beleza, sem cumplicidade.
Sou capaz de imaginar o dia da criação de Alagoas.
Ô São Pedro, pegue o estoque de azul mais puro e coloque dentro das manhãs
encarnadas de sol; faça do mar um espelho do céu polvilhado de jangadas brancas; que ao
entardecer sangre o horizonte; que aquelas lagoas que estávamos guardando para
uso particular, coloque-as neste paraíso.
E tem mais, São Pedro: dê a seu estado um cheiro sensual de melaço e cubra os seus campos com o verde dos canaviais.
As praias… Ora, as praias deverão ser fascinantemente belas, sob a vigilância de altivos
e fiéis coqueirais.
Faça piscinas naturais dentro do mar; coloque um povo hospitaleiro e bom;
e que a terra seja fértil e a comida típica melhor que o nosso maná.
Dê o nome de Alagoas e a capital, pela ciganice e beleza de suas noites,
deverá chamar-se Maceió, e a padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres.